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sábado, 9 de outubro de 2010

Incompetência, teu nome é Cristiana! - giro por Barcelona

Fiquei relativamente chocada com minha incompetência em postar novidades aqui no blog. Me deparei com essa triste realidade agora pela manhã, quando passava um e-mail para uma amiga que me perguntou se havia algo de Barcelona que eu tinha deixado de fora. Há omissões terríveis! Desvios inevitáveis! Refeições memoráveis!

Começo então a redenção...

No quesito "clássicos e tradicionais" há o Botafumeiro e o Neichel, por exemplo.

O BOTAFUMEIRO é uma casa de frutos do mar no Eixample com decoração clássica e muita madeira trabalhada.  O espaço é amplo e "quase" formal, com toalhas nas mesas e garçons antigos com cara de prata da casa. O longo balcão na entrada é o local pra quem quer ver e ser visto e uma espiadela em seguida no movimento da cozinha é de tirar o fôlego dada a superprodução de pratos. As porções são fartas e a apresentação é bem tradicional. Pode-se provar peixes fresquíssimos e deliciosos frutos do mar. O movimento é assombroso e a carta de vinhos, excelente. Carrer Gran de Gràcia, 81. Aberto todos os dias, de meio-dia à 1h da manhã. http://www.botafumeiro.es/

O NEICHEL é um restaurante Relais & Chateaux de cozinha clássica francesa no bairro residencial de Pedralbes, onde muitos turistas jamais põem o pé. O ambiente é claro, discreto, pequenino e dá para um adorável jardim. Fizemos uma das melhores refeições de Barcelona e o serviço foi ímpar. Esse é para ir a dois.... e com fome. C/ Beltrán i Rózpide, no.1-5. http://www.neichel.es/

Já no quesito "paradinhas", outra omissão terrível foi a da VINOTECA MIGUEL TORRES, na avenida Passeig de Gràcia. O espaço é ocupado por uma mesa comunitária imensa em que se pode "tapear" à vontade e provar em taças os rótulos dessa vinícola de primeiríssima, de um dos melhores produtores da Catalunha. A vantagem é que fica aberta o dia inteiro. http://www.torres.es/  Parar lá depois de uma visita à loja VINÇON é inevitável. A loja que fica na mesma rua da VINOTECA, tem desde utensílios até presentes e material de papelaria. É como a MUJI, em Paris; local pra comprar lembrancinhas de última hora ou presentinhos pra nós mesmos. http://www.vincon.com/WebCommerce/Sistema/200606/inicio.asp?MiTienda=100397&MiIdioma=ES

Outra paradinha inesquecível foi a que fizemos na Chocolat Factory, na Avinguda Diagonal, 557. A lojinha, uma das várias presentes na Espanha, é absolutamente original. Todas as embalagens ganharam prêmios de design. O melhor, no entanto, não é o que agrada aos olhos, é a inúmera variedade de chocolates de diferentes partes do Mundo, com cacau de diversas procedências e níveis de concentração que vão até 70%. Se não estiver a caminho de Barcelona, divirta-se com o site da loja e clique em "pleasure telephone stars" para falar com as "estrelas" da Chocolat Factory. Aumente o volume e divirta-se! http://www.chocolatfactory.com/cat/pleasure/index.html

A foto não ficou lá essas coisas, mas os chocolates... hmmmmmmmmmmm!

Uma dica também esquecida que seria a cara deste blog é o DOS PALILLOS, onde tudo que cabe entre dois palitinhos pode ser devorado num balcão super cool. É um verdadeiro bar de tapas asiático. http://www.dospalillos.com/

Outro! O ALBA GRANADOS, na rua Enric Granados. A rua por si só é um charme, cheia de opções gastronômicas. O restaurante, já conhecidíssimo por sua afinada cozinha, me encantou por uma razão bem distinta. Chegamos no fim do turno, exatamente no último minuto do horário de fechamento do almoço. A maioria dos restaurantes receberia o cliente com a "cara amarrada pré-intervalo" ou negaria a entrada. A equipe nos recebeu com os braços abertos, a cozinha disparou pratos deliciosos, que podem ser admirados do salão em cozinha aberta ao público. Foi uma experiência perfeita, do início ao fim. http://www.albagranados.com/

E tem mais! Muito mais! Mas convenhamos... não dá pra ficar competente de uma hora pra outra...

Pra me redimir, estou pensando sinceramente em começar a escrever sobre hotéis. Me aguardem!

A deliciosa rua Enric Granados e seu bosque de motocicletas.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

CROCÂNCIAS - Crustó, Barcelona

Quando me deparo com a vitrine de uma boa padaria me perco na infinidade de texturas, pontos de torra, sabores e formatos e pareço uma criança diante de um parque de diversões. Assim me vi babando as prateleiras da padaria Crusto, em Barcelona. Pães de azeitona, com queijo, integrais e de amêndoas, além de biscoitos, brownies, tortinhas... tudo rima com tentação.

Como se não bastasse a rua adorável e seus inúmeros restaurantes, a Crusto é o “pit-stop” ideal numa das cidades mais lindas de se investigar a pé.

O programa é mesmo pra curtir com a barriga no balcão ou tentar disputar a tapas (sem trocadilhos, por favor...) um lugar numa das três mesinhas redondas. Se tiver essa sorte, regue o seu pão com um delicioso cappucino cremoso e um serviço amigável.

Esta deliciosa padaria também tem uma página no Facebook que foi criada com o único objetivo de me torturar. Anuncia diariamente suas delícias e me traz lembranças salivares. Hoje anunciam, por exemplo, o lançamento de um pão com abóboras e tâmaras ou ainda outro orgânico com cereais de chocolate e laranja. Dá pra agüentar?

Carrer Valencia, 246
Barcelona, Espanha
Tel.: 9.3487.055
De segunda a sábado, das 8hs às 21hs
Domingos: de 9hs às 14hs

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Mais "original", impossível...- La Llavor Dels Origens

Na adorável Enric Granados descobri um lugar realmente original, na melhor acepção da palavra. O restaurante-bar-loja-confeitaria LA LLAVOR DELS ORIGENS é um achado quando o assunto é comida típica da Catalunha. Tudo lá é rastreável e a cozinha prima pela execução de pratos tradicionais, com ingredientes locais, muito bem preparados.


O cardápio traz uma seleção de pratos da temporada que variam mês a mês além de informações interessantíssimas sobre os ingredientes regionais. Os preços são muito justos e o ambiente está sempre lotado. Há vários produtos típicos à venda no bacão e ainda publicam uma “agenda gastronômica” falando de feiras e festas gastronômicas da Catalunha, com as receitas mais típicas de cada zona.

A carta só trabalha, naturalmente, com vinhos da Catalunha, o que já dá o maior samba porque a região tem 11 denominações de origem, além da denominação Cava.

Original, simples e tudo de bom. Amei.

ORIGENS (la llavor dels)
http://www.lallavordelsorigens.com/
Enric Granados, 9  - Barcelona
Tel: 93 453 11 20
horário: 12.30h-12.30h noche

quinta-feira, 18 de março de 2010

Barcelona para todos os momentos - Noti, Hotel Neri - Barcelona

MOMENTO ROMÂNTICO: RESTAURANTE DO HOTEL NERI

Além da comida deliciosa e serviço impecável, o Hotel Neri também tem muito charme. Fica num palacete do Séc.XVIII em frente a uma praça adorável do imperdível Bairro Gótico. Cada piso do hotel é decorado com um tema e conjunto de cores diferente. No restaurante, o clima é intimista com grandes arcos de pedra separando os ambientes. Adorei a cozinha leve e delicada com inspiração mediterrânea e regada a azeite extra-virgem, especiarias e ervas. Comi uma maravilhosa terrine brûlée de foie gras com purê de maçã verde e iogurte, com uma finíssima fatia de peixe defumado dentro. Tendo a achar foie gras muito enjoativo em todas as suas versões, mas os purês trazem o equilíbrio que lhe falta; um dos melhores que já comi. A bela carta de vinhos convida para um programa a dois.

Hotel Neri
http://www.hotelneri.com/
C/ Sant Sever, 5
Barcelona, Espanha
933 040 655

MOMENTO EXECUTIVO: NOTI

Situado na antiga da sede do jornal EL NOTICIERO UNIVERSAL (daí o nome) o NOTI inspira almoços no melhor estilo “big-bucks” e esticada yuppie. O ambiente é moderno e dramático, com pé direito alto, abundância de espalhos e espaço bem amplo. De dia, executivos engravatados aproveitam a grande distância entre as mesas para fechar negócios nada menores. À noite a turma mais jovem aproveita o clima, a música eletrônica e o bar para drinks. Não é um local para crianças, sem dúvida. A cozinha é caprichada, com toque francês. Além do cardápio, há também a opção de menu executivo para o almoço. O edifício é um prato cheio para quem gosta de arquitetura: recebeu o prêmio FAD em 1965 (o prêmio mais importante da arquitetura ibérica). A casa diz oferecer “luxo democrático”, sem ostentações. Apesar do marketing, prepare o bolso. Uma curiosidade, foi lá que me dei conta de que TODOS os restaurantes badalados de Barcelona agora colocam os talheres na diagonal, como cliquei na foto... me dá um certo nervosinho (viva o TOC), mas é original.

NOTI RESTAURANTE
C/ Roger De Llúria, 35
Barcelona, Espanha
933 426 673

E aguardem... estes são só 2 dos ínúmeros "momentos" de Barcelona que vou postar

sábado, 6 de março de 2010

Mercado de San Miguel, em Madri

Preciso dizer mais alguma coisa????

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Restaurante Diverxo, em Madri

E viva a DiverXidade! O restaurante de cozinha originalíssima, que ostenta uma estrela do Guia Michelin, tem linha gastronômica um tanto inexplicável: prioriza os produtos espanhóis, mas tem toques orientais, principalmente chineses e japoneses. Dá certo? Certíssimo!

O ambiente diz tudo. É um templo gastronômico e não um local para ver e ser visto. O restaurante tem 30 lugares distribuídos mais que confortavelmente por poucas e grandes mesas. O cardápio muda ao sabor do mercado e há apenas 2 funcionários no salão: uma simpática hostess bilíngüe (esposa do chef) que explica detalhadamente todos os pratos, e um jovem e compenetrado sommelier. O chef David Muñoz passou pelo Hakassan e pelo Nobu de Londres, belíssimas casas orientais sem dúvida responsáveis pelo “sotaque” de sua cozinha.

Fica claro que, apesar da interessante arquitetura contemporânea e minimalista, cheia de concreto e muito preto, a intenção é valorizar a experiência do paladar. Honestamente, devo dizer que em raríssimas vezes tive a oportunidade de comer tão bem. Os pratos que, quando descritos, pareciam prenunciar um desastre, na boca eram de uma delicadeza tão surpreendente que não cessavam de me emocionar.

O Diverxo também tem 3 estrelas no Guia Metropoli 2010 e também é um dos 101 restaurantes madrilenhos selecionados por Luis Cepeda, cronista gastronômico do El País, para constar de seu respeitado Guia Madrid a La Carta.

Há apenas três modalidades de cardápio a escolher: um menu executivo (aprox 45 euros), um menu degustação de 3 pratos e 1 sobremesa (aprox.60 euros) e outro de 6 pratos e duas sobremesas (100 euros). Eu pergunto: qual foi a minha pedida?

Vamos à comilança:

1. Mexilhão tigre “estilo fusion” com escabeche de lima kéfir, sofrito (molho à base de tomate, azeite e alho) e pimentas com ovas de peixe voador;
2. Dim Sum negro de lula acebolada com tutano, recheado com guizado chinês de lulas, tutano e crocante de arroz. Ao lado, copinho de chá verde aromatizado com côco (uma delícia);
3. Ovos recheados com morcilla, pés e orelhas de porco e gema de ovos de codorniz acompanhado de orelha de porco crocante com molho acridoce picante. Escoltando, um chá verde aromatizado com lima japonesa;
4. Txangurro (um espetáculo de caranguejo de casca macia) com chili e pão de manteiga tostada;
5. Camarões mediterrâneos fritos ao contrário (são literalmente virados do avesso e viram uma espécie de carpaccio) com yuzu, soja e maionese quente;
6. Tamboril glaceado com aspargos na manteiga tostada com yuzu, chips de raiz de flor de lótus e gergelim negro;
7. Vaca vermelha galega com molho canário nikkei (molho picante das ilhas Canárias com sotaque japonês), cogumelos e purê de couve-flor;
8. Toucinho do céu de manga com pimenta rosa, coalhada de côco com sorvete de gengibre e coentro. (esse, eu juro, é uma das coisas mais gostosas que já comi)
9. Caramelo de chocolate com chá verde e trufas negras.

Pra quem ama comer, uma experiência imprescindível. E a carta traz rótulos de vanguarda a bons preços. Corretíssima, sem exageros.

RESTAURANTE DIVERXO
Calle Pensamiento, 28
28020 Madri
Tel: 915 700 766
De 14:00hs às 15:30hs e de 21:00hs às 23:30hs
Fecha às segundas e domingos

domingo, 10 de janeiro de 2010

Aprendendo História e outras estórias nos restaurantes de Madri - Botín, Lhardy, Kitchen Stories - Madri

Adoro os Centros de qualquer cidade européia. Guardam em suas entranhas lugares que sobreviveram ao tempo e ainda acolhem os desbravadores, que escrevem uma nova história sem desprezar as raízes.

Programa imperdível é o BOTÍN, o restaurante mais antigo do mundo (recorde registrado no Guiness em conjunto com a casa D´Viiff Vlieghen - Cinco Moscas - em Amsterdam). O restaurante, fundado em 1725 é o maior consumidor individual de leitõezinhos do mundo; são 20.000 porquinhos anuais!! Natural, portanto, que eu guardasse meu apetite para um deles.

Na seção “tapeo”, as morcillas de Burgos (lingüiças de sangue cozidas com grãozinhos de arroz) são indispensáveis. Minha filha de 6 anos gostou tanto que considerou dispensável, também, a mastigação das pobres morcillas que eram devoradas sem piedade.

O ambiente é fantástico: pequenino e apertado, cheio de salinhas e escadas com degraus que mal comportam os pés atuais. Com sorte você encontra lugar na adega, no subsolo. O clima é ímpar.

O cardápio é muito simples e bem tradicional. Não espere comida leve, mas pratos parrudos de outrora que resistiram ao tempo e, portanto, evoluiram à perfeição. Deliciosa é a sopa de alho com ovos ou o afamado leitão que, ao contrário do nosso “à pururuca”, cuja pele é “pipocada” e crocante, tem sua pele “laqueada”, ou seja, crocante mas lisinha. Por dentro desmancha na boca... tenro, macio, divino.


Outra viagem no tempo é uma visita ao LHARDY, fundado em 1839. Foi o precursor espanhol daquilo que conhecemos hoje em dia como “restaurante”. Explico: foi o primeiro a ter mesas separadas como alternativa às mesas comuns das tabernas de então. Ali também se instituiu o cardápio escrito e o menu a preços fixos, quando na época se recitava o cardápio do dia em viva voz e se ajustava o preço do prato entre o paroquiano e o taberneiro. Também foi o primeiro local da Espanha a permitir que mulheres fizessem refeições sozinhas.

O local é repleto de estórias famosas. Dizem que Isabel II escapou uma noite do palácio com suas damas de companhia só para conhecer o badalado restaurante. O ambiente, composto de várias salas, guarda um quê de realeza e era o ponto de encontro da aristocracia da época. A madeira da fachada foi importada de Cuba.

Na entrada, uma loja com alguns sucessos da casa: caças recheadas, os tradicionais presuntos ibéricos, anchovas, chorizos e frutos-do-mar. No restaurante, várias salas se sucedem com decorações distintas. A Isabellina é a maior e também a sala original do restaurante. As demais são igualmente adoráveis e algumas conservam o papel de parede da época. Famosos são o seu cocido madrileño e os deliciocos souflées. O caldo servido desde a inauguração em utensílios de prata manteve a pose e é sucesso até hoje. Enfim, programa imperdível. Uma verdadeira aula de História.

Já na ponta contemporânea, há o adorável KITCHEN STORIES, restaurante com perfume cosmopolita, decoração branca minimalista e sucessos “globais” no cardápio, como risotto de cogumelos, steak tartar e fish & chips. Da janela se avista a Cidade Velha e nos damos conta do contraste entre os garçons “descolados” do interior e o perfume dos leitõezinhos do Botín algumas casas rua abaixo. Realmente a gastronomia é um ingrediente cultural subestimado. Não canso de comer História... Nem de passar aqui pra contar.
BOTÍN
http://www.botin.es/
Calle de los Cuchilleros, 17
28005 Madri, Espanha
91 366 42 17

LHARDY
Carrera de San Jerónimo, 8
28014 Madri, Espanha
91 521 33 85

KITCHEN STORIES
Calle de los Cuchilleros, 3
28005 Madri, Espanha
913 66 97 71



quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Madrid, todavia Madrid! - Bar Tomate, Madri

A reboque dos Gastropubs de Londres, pipocam Gastrobares em Madrid. Chame você de Gastrobar, Bar con Cucina, Casa de Comida ou como quiser, o novo point do Beautiful People madrileño é mesmo o BAR TOMATE, o mais recente empreendimento do Grupo Tragaluz,dono do Hotel Omm e de vários restaurantes fantásticos em Barcelona.

Inaugurado discretamente em outubro deste ano, a dificuldade em se conseguir uma mesa é a maior evidência de que o cardápio e o ambiente da casa são um sucesso. Sejam pizzas de massa finíssima, saladas, pratos leves ou sanduíches, sua fome não precisa ter forma ou tamanho.

O restaurante fica aberto o dia inteiro (uma tranqüilidade quando a maioria das casas fecha das 3:30hs às 20:30hs). Neste intervalo, há um cardápio reduzido com tapas simples mas muito bem executadas como a “tosta” de rúcula, queijo Comté e redução de balsâmico trufado ou ainda as deliciosas alcachofras fritas, croquetes de cogumelos, morcilla e Roquefort ou o delicioso Pan con Tomate.

Aos fins de semana o bar funciona até as 3:00hs da manhã. A decoração tem muita madeira e um toque de design nas luminárias originalíssimas. O ambiente é totalmente “Sex and The City”.

Rua Fernando el Santo, 26
Tel: +34 917 023 870
28010 Madrid
www.grupotragaluz.com/restaurantes.php

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

HOLA!... ou, AROLA! - Sergi Arola Gastro, Madri

Sí, estou em Madri e, como não podia deixar de ser, fui conferir o “Sergi Arola Gastro”, restaurante inaugurado em 2008 pelo chef mais estrelado da Espanha. Sergi Arola, de 40 anos, chegou a Madri há 12 e só fez impressionar: depois de fazer escola com Ferrán Adrià e Pierre Gragnier, ganhou o Prêmio Nacional de Gastronomia espanhola, conseguiu 2 estrelas Michellin no restaurante La Broche e nos últimos 8 anos foi considerado o cozinheiro mais qualificado de Madri por toda a imprensa especializada. Renovou este ano suas 2 estrelas e também foi selecionado para representar a Espanha no Bocuse d´Or de 2010.

O cardápio do Gastro é o seguinte: pode-se optar por um Menu de 14 pratos (é claro que fui neste), ou por um mais modesto e não menos pantagruélico de 5 pratos, e ainda se pode escolher o menu “do dia”, com entrada, principal e sobremesa. Nenhum deles é nada barato. É claro que além desses pratos há uma breve seleção de 5 tapas deliciosas, que vão de batatas bravas a chips de banana no molho de soja perfumado com yuzu (uma delícia). E, naturalmente, pra ninguém ficar com fome, os trabalhos são inaugurados com pães deliciosos feitos na casa acompanhados de azeite orgânico LA e sais aromatizados com cardamomo e algas nori.

O ambiente é zen. O restaurante como um todo podia ser um pouco menos cinza, mas o pé direito baixo dá um ar acolhedor . O andar de baixo esconde um bar super simpático e pós moderno revelado numa visita ao banheiro.

De um modo geral a experiência com os pratos salgados foi melhor do que com os doces. Esperem muita performance, utensílios lindos, “regadas”, “vaporizadas” e outras piruetas acompanhando os pratos. O cardápio muda diariamente e, dada a maestria com que domina a preparação de tudo que comi, fossem peixes, carnes, aves ou embutidos, acho quase impossível alguém se decepcionar. A carta de vinhos também não fica atrás, com completíssima seleção de rótulos espanhóis. As reservas são obrigatórias.

Minha Odisséia gastronômica:

1. Rillette de lebre cozida dentro de um micro cone pra engolir de uma vez só. Deliciosa, untuosa e etérea (desapareceu num segundo na boca, junto com o pequeno cone feito com uma espécie de massa phyllo vermelha).
2. Maki (o enroladinho japonês) de lula recheado com verduras cruas e fígado de tamboril. Uma poesia.
3. Bochecha de tamboril com ouriço e creme de nabo.
4. Timbal de frutos do mar e crustáceos 2009 lindamente arrumados dentro de um potinho de vidro, com molho delicado de ervas que, quando regado, tinge de verde-bandeira o prato.
5. “Clam chowder em homenagem a um almoço novaiorquino”. Adoro sopa de amêijoas. Um delicioso folhado de mexilhões é colocado no fundo do prato para depois ser devidamente afogado pela sopa quente que lhe complementa em seguida.
6. Empada de berinjelas e cogumelos, com salada de corações de alcachofras, trufas brancas e vinagrete de mostarda em grãos (podia ser a do Bazzar). Muitíssimo delicada. O prato preferido do meu filho.
7. Arroz cozido em queijo Idiazábal com folha de pepino do mar e mini aspargos verdes.
8. Filé de merluza cozido em baixa temperatura com “patatas a la importancia” ao molho de alho e cebolinha.
        * Nota interessante: as batatas “a la importância” surgiram no norte da Espanha no pós-guerra. O povo, cansado de comer batatas diariamente por falta de opção, costumava cozê-las com farinha e leite para que tivessem um sabor que lembrasse algo mais importante e lhes desse esperança de tempos melhores. Como dizem os locais: “cada espanhol tem uma batata na qual apoiar a cabeça nos momentos mais difíceis”, ou ainda, “todos somos iguais diante da Lei e das batatas”.
9. Tripa de bacalhau com grão de bico de Pedrosilla e timo de cordeiro.
10. Pés de porco recheados com castanha e barriga de porco glaceada com batatas Anna e purê sueco de aipo. Muito bom!
11. Ensopado de fígado de Carneiro com boudin de Calella e linguiça de ganso sobre favas. Arrisco dizer que foi o meu preferido. Arrisco, não afirmo, porque todos os pratos salgados foram equivalentes em delicadeza e qualidade.
12. Cannelloni recheado com creme de limão e tagliollini de coca-cola. É o único prato que eu dispensaria pela invencionice. Nem o lindo frasco de perfume que é usado para vaporizar o rum sobre o prato melhora a experiência.
13. French Toast de castanhas, sorvete de limão e espuma de canela com laranja
14. Soufflé de chocolate com coco acompanhado de sorvete de menta.

Finda a batalha, me lembrei de Quincas Borba e murmurei, com satisfação: “Ao vencedor, as batatas!”

SERGI AROLA GASTRO
http://www.sergiarola.es/
C/ Zurbano 31
28010 Madrid
Tel: 91 310 2169 / 91 310 0394
e-mail: info@sergiarola.es

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

SANTO CHÁ

No maravilhoso Bairro Gótico de Barcelona, em meio às suas ruelas intermináveis, há uma pequena casa de chás que é um achado!

Além da paradinha perfeita para um café ou sanduíche a qualquer hora do dia, também tem um subsolo que funciona como bar animado. O primeiro andar conta com um pequeno salão com meia dúzia de mesinhas apertadinhas e lojinha na entrada. Todos os itens à venda foram fabricados em mosteiros e conventos espalhados pela Espanha: geléias, bolos, marzipãs e inúmeras tortas. O banheiro não foi feito para uma pessoa alta de proporções bíblicas como eu. Fora este pequeno detalhe, o local é uma graça.
Ah! E, é claro, tudo é de comer rezando...





 Carrer de la Palla 8
Barcelona
+34 933 026 993

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Afinal, o que são tapas?

TAPAS, PINTXOS, BANDERILLAS...


A gastronomia carioca foi, por muitos anos, uma reprodução do que havia de mais “básico” nas cozinhas portuguesa, espanhola e italiana. Sem que nos déssemos conta, continuamos repetindo velhas receitas enquanto nossos companheiros europeus se modernizavam.

No que se refere às “tapas” espanholas, nossa herança se resume às boas e velhas azeitonas e a amendoins destinados a abrir o apetite do cliente. Enquanto o brasileiro quase parou por aí, “tapear” na Espanha é um hábito cada vez mais sofisticado.

O tapeo, como costume popular, só se arraigou no final do século XIX, na Andaluzia. O hábito de servir aperitivos, que também é comum na Grécia e Turquia, tem na Espanha uma implicação social.

Uma série de costumes fez do tapeo um ritual que vai desde o número ideal de pessoas que se deve reunir até a rota dos bares a ser percorrida. O ideal é um número de seis pessoas “tapeando” juntas, de bar em bar, até que se determine o melhor petisco do local. Normalmente uma pessoa do grupo é eleita e vai pagando a ronda; ou ainda, acumulam-se os palitos de cada “tapa” e, ao final, a conta é paga de acordo com o número de palitos na mão.

Inicialmente as tapas eram apenas fatias de presunto ou queijo; depois vieram os aperitivos salgados. Pouco a pouco se converteram em obras de arte que receberam o simpático nome de “cozinha em miniatura”.

Além das tapas, foram implantadas na Espanha as “banderillas”: anchovas, pimentões, azeitonas e outros alimentos atravessados por um palito.

Em San Sebastián e Barcelona as tapas se chamam pinchos; em Madrid, aperitivos.

Os espanhóis abominam o termo americano “fast-food” aplicado às tapas porque em nada se assemelham à cultura de pizzas e hambúrgueres. São, em geral, muito saudáveis por conter os ingredientes da dieta mediterrânea: pães, verduras, azeites de oliva e pescados, apesar da forte predominância de derivados de porco.

Origem do nome:

Algumas fontes situam sua origem nos mercados da Andaluzia, onde comerciantes locais teriam inventado a “moda” de colocar uma fatia de charque (cecina) sobre copos de vinho para evitar que o aroma se dispersasse devido ao clima quente.

Outros dizem que foi para proteger o vinho de insetos que poderiam cair dentro do copo.

Há quem assegure que tudo começou com a passagem de Afonso XIII por um mercado de praia que fica entre Cádiz e San Fernando. O rei teria pedido um copo de jerez sem perceber que uma rajada de vento trazia grãos de areia para dentro de sua bebida. Percebendo o inconveniente, um garçom atento teria se apressado em cobrir o copo com uma fatia de presunto. O rei, surpreso, perguntou o que era aquilo. O garçom teria respondido: “coloquei uma “tampa” (tapa) em seu copo para que nele não entrem grãos de areia...”. Depois de comer o presunto e beber o vinho, o rei teria dito: “me traga mais um jerez, mas com a mesma TAMPA!”.

As tapas em cada região:

ANDALUCÍA
A cozinha em miniatura andaluza se divide em duas: a do mar e a do interior. Sevilha é considerada a capital do tapeo. As tapas mais típicas são as tortillas de batata ou de bacalhau, as “batatas bravas”, as azeitonas com caroço ou recheadas, os escargots de mar ou de terra bem picantes, as caçarolas de rim com jerez, o ajilmojili (fritura de alho, pimentão, salsa, azeite e vinagre), os pescados secos, camarões a la gabardina etc.
ARAGÓN
São típicas a salsicha de porco, as azeitonas negras, as codornizes em escabeche e a cabeça de cordeiro assada.
ASTURIAS
Há tanto produtos de terra como de mar. Entre os primeiros há queijos artesanais (cabrales), cebolas recheadas, chouriço “a la sidra”. Entre os do mar há pescados, mariscos, caranguejos e caviar de ouriço regados com cidra, a bebida nacional asturiana.
BALEARES
Queijo de mahón, cordeiro assado com morcela, lagosta em caldereta, vinagrete, verduras e hortaliças e fígado acebolado.
CANARIAS
Batatas “enrugadas”, batatas velhas, molho picante, queijo, fígado bovino com alho e orégano.
CANTABRIA
Salmoura de anchovas, sardinhas, lulas (frias ou guisadas) e queijos da região.
CASTILLA LA MANCHA
Queijo manchego, queijo em azeite, berinjelas de Almagro, escabeches e tripas de cordeiro (zarajos).
CASTILLA Y LEÓN
Os famosos “mariscos de Castilla”, morcelas (lingüiça escura) com arroz de Burgos, morcelas com cebolas de Leon, chouriço picante ou com azeite, charque, queijo de Zamora, lombo, cordeiro, presunto ibérico e torresmos.
CATALUÑA
Lulas à romana, bacalhau empanado, anchovas, polvos acebolados, salsichas e lingüiças.
EXTREMADURA
Presunto, coxas de rã, lagarto e trufas.
GALICIA
Polvo, pimentões fritos, orelha cozida, empanada galega, vôngoles, mexilhões e ostras.
RIOJA E NAVARRA
Chistorra (lingüiça e toucinho picados e condimentados), cordeiro, rim empanado, caranguejos de rio. Pimentões de piquillo, alcachofras, ovos de codorna com chistorra, champignons recheados ou salteados com ostras.
MADRID
Milho à madrileña, costeletas de cordeiro picantes, batatas bravas, polvo ao alho, empanados, fígados de ave, moelas com alho e salsa, camarões a la plancha com alho, lulas à romana.
MURCIA
Favas, miolos de alface, tomates com sal, bacalhau salgado, sardinhas em salmoura ou fritas.
PAÍS BASCO
Na comunidade autônoma onde mais e melhor se come, as tapas recebem o nome de pintxos e tapear se chama poteo ou ir de potes. Bacalhau, angulas (peixes transparentes de corpo vermiforme), txangurro (nome dado ao caranguejo no País Basco), peixes, camarões, lulas em sua própria tinta e bonito estão entre os pintxos mais populares.
VALENCIA
Todos os produtos com atum, inclusive ovas. Também são comuns as morcelas com arroz e cebolas, enguias e demais pescados.