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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O que há de novo na praça? - Plaza Food Hall, Nova Iorque


Por um instante, o enorme saguão com portas giratórias e um mundo de gente entrando e saindo me pregou uma peça. “Onde estou mesmo? – Pensei. “Na Grand Central Station?”. Não. Estava no Hotel Plaza, em Nova Iorque.

Tinha sete anos quando fui apresentada ao Plaza e me sentia uma liliputiana diante de Gulliver. O enorme hotel renascentista, fundado em 1907, tinha dimensões, beleza e elegância tão avassaladoras que, estranhamente naquela idade, faziam-me sussurrar.

De uns anos para cá, a entrada do hotel parece realmente a de uma loja de departamentos. Talvez esse “espírito” tenha levado a direção a buscar o exemplo do Food Court, dentro do Harrods, em Londres. Apesar de não ter metade de seu tamanho, o Food Hall do Plaza funciona. E bem.

Entre pela 58th e evite o movimento da “Grand Central”. Em seguida, tome a escada rolante em direção ao subsolo e mergulhe no espaço interessante e animado concebido por Todd English.


A entrada parece acanhada mas o Food Hall se desdobra em inúmeros espaços divididos por temas. Há um wine bar, um grill, um “Market” que vende azeites, frutas, especiarias, geleias, chás e outros; um balcão de queijos, outro de pizzas, um sushi bar e também um dumpling bar, e, por fim, um balcão de onde saem deliciosos peixes grelhados.

A seção "to go".

O delicioso balcão de frios...  
...e o de queijos.

Em cada um dos balcões o cardápio de todo o complexo pode ser servido. Na entrada, peça à recepcionista que lhe encaminhe para um espaço específico ou deixe que ela lhe sente no próximo disponível. Desaconselho fortemente o balcão do grill, a menos que goste de sair por aí com roupas e cabelos defumados.
Massas frescas são preparadas diante dos clientes.

O grande salão de mesas comunitárias.
Bom para adultos, crianças e solteiros.
Apesar de ter me sentado no sushi bar, não hesitei
em pedir uma lagosta do Maine do raw bar
no outro lado do salão.
Das opções disponíveis, eu insistiria nos itens do
raw bar, sanduíches e nas massas.
O steak frites.
Os tacos de pato não foram uma boa pedida...
... mas a torta de maçã estava deliciosa.


Qual a diferença entre o Food Hall e uma “Praça de Alimentação”?
Bem, a “praça” é o Central Park, o “shopping” é o Hotel Plaza e a cidade é Nova Iorque. Só...

PLAZA FOOD HALL

Hotel Plaza - Nova Iorque
www.theplaza.com
Fifth Avenue, no Central Park South
(212) 759-3000

domingo, 8 de janeiro de 2012

Um gole sul africano - Cape Point


Até ontem, nesta viagem à África do Sul, o mar de vinhos e cervejas que me banha não trazia à deriva nenhuma garrafa que me falasse à alma. Felizmente, as imensas ondas do Oceano Índico que estouravam furiosamente sobre as pedras do restaurante em Kalk Bay Harbour, me trouxeram o Cape Point Isliedh Sauvignon Blanc 2010.

Ando evitando a Sauvignon por conta da abundância de exemplares no Brasil de um maracujá óbvio, monocromático e, por vezes, insuportável. Mas este vinho é outra estória.

Onde está Alfred?

A vinícola Cape Point fica a apenas 200 metros da praia e o nome que batiza o rótulo é da neta do produtor. A menina deve ser uma espoleta, pois as notas de pólvora no vinho eram evidentes. Outras notas herbáceas, cítricas e forte presença mineral, fizeram com que o vinho ganhasse as cobiçadíssimas 5 estrelas de John Platter, o mais respeitado crítico sul africano. Aliás, a vinícola já conquistou 11 vezes as 5 estrelas de Platter nos últimos 6 anos (e, confesso, nunca havia ouvido falar dela).

Esse vinho será sempre para mim a tradução engarrafada da brisa do mar, do “crayfish” gigante, da vista de Kalk Bay e, finalmente, de Albert, nome que imediatamente dei ao leão marinho que, como eu, traçava peixe atrás de peixe do lado de lá da janela.

Pela estrutura, acho que o Isliedh ainda tem uns 4 anos de boa bebida pela frente. Até lá, torço pra que Yemanjá, a rainha do mar e a melhor representante da conexão afro-brasileira, inspire uma importadora a trazer em suas espumas umas garrafinhas pro Brasil.


Cape Point Isliedh Sauvignon Blanc 2010
South Africa




quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Inspiração e Aspirações - Milos, Nova Iorque


Vocês se lembram de 1997? Eu me lembro perfeitamente.

Em 1997 perdi meu pai.
Em 1997 ganhei um filho.
Em 1997 estava absolutamente decidida a abrir um restaurante.

Também naquele ano inaugurava em Nova Iorque um restaurante grego que estava na contramão de tudo que havia até então. E o que havia? A moda era abusar de manteiga; o peixe era sempre salmão; molhos pesados eram apresentados em um milhão de versões; e a (con)fusão de sabores reinava no prato. A decoração em voga abusava de pisos sintéticos e cores vibrantes, e as luminárias de ferro pintado ziguezagueavam por teto e paredes. 

Quando entrei no imenso salão branco e amplo, com pé direito alto, paredes limpas, vigas à mostra e cozinha aberta ao fundo, percebi a genialidade irritante do conceito: o MILOS estava uns 10 anos adiante de sua época, com uma proposta de 2.000 anos atrás.

Respeito aos ingredientes, peixes fresquíssimos, azeite extra-virgem e uso abundante de legumes e verduras são a base da cozinha milenar grega e é tudo que mais aprecio e respeito em termos gastronômicos. Hoje isso é lugar comum, mas na época simplicidade era sinônimo de falta de sabor, criatividade e técnica.

Apesar da desafetação, o pé direito alto, os belos pratos e copos, cadeiras confortáveis e mesas amplas conferiam a elegância novaiorquina. 

Voltei inúmeras vezes nestes 14 anos e não canso de me encantar. O serviço esquenta qualquer frio norte americano de tão simpático e caloroso, e os pratos são de uma simplicidade espartana incapaz de esconder qualquer erro de cocção ou ingrediente duvidoso.

Uma boa regada de extra-virgem escolta pães e pratos.
Pasta de favas com cebola roxa.
Sardinhas gordas grelhadas.
A divina salada de queijo feta (o legítimo),
com tomates, pimentões, azeitonas Kalamata e pepinos
.
Um Red Snapper (o nosso Vermelho) absolutamente divino.
Fiz a anotação mental de dispensar as alcaparras
que o acompanham na próxima.
Para os que não querem peixe, como meu companheiro
de mesa, um belo naco de Red Angus faz qualquer um sorrir.
Haricots Verts.
O denso iogurte grego de cabra, totalmente artesanal, 
com mel aromatizado com tomilho de Kythera.
Karidopita, o tradicional bolo grego de nozes e canela,
"americanizado" com uma bola de sorvete
.

Saí de lá com um sorriso 14 anos mais jovem que esse e a certeza de que abriria um restaurante simples, para que fosse longevo. 

Vocês se lembram de 1998?
Eu me lembro perfeitamente.
Foi o ano em que abri o Bazzar.

MILOS ESTIATORIO
www.milos.ca/en/newyork
125 West 55th Street (entre a 6a. e a 7a. avenidas)
Nova Iorque, NY
Tel: 212.245.7400

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Desvendando estrelas - L´arôme, Paris

Imersa em divagações usualmente encontradas no fundo de um copo de vinho, me perguntava por que as estrelas são o ícone mais apropriado para conferir a excelência de restaurantes de qualidade. A resposta eu tive em Paris, numa noite de janeiro.

Já tinha ouvido falar, aqui e ali, sobre o restaurante L´Arôme, no 8º arrondissement. Sempre recebi com desconfiança recomendações do tal “triângulo de ouro”, repleto de armadilhas para turistas, e decidi entrar devidamente “armada” com meu olhar preferido: o excessivamente crítico.


Apesar da elegância austera do salão, uma luminária de Murano, com inspiração e penduricalhos deslocadamente orientais teimava em me encarar. A luz fria da cozinha aparente também me incomodou. Nada muito feio, tampouco bonito, mas meu olhar continuava implacável.

Embalada pelo primeiro gole de um delicioso champagne rosé, comecei a admirar os detalhes: belos pratos e copos, retângulos de manteiga defumada do craque Bordier, e fatias sedutoras de presunto Pata Negra de Salamanca instigavam o apetite.


O maître, muito gentil, apresentou o menu degustação diante do olhar atento do dono. E, por falar no dono... Já tinha lido sobre Eric Martins, ex-Guy Savoy, ex-Lucas Carton, entre outras casas de peso, mas não tinha prestado atenção ao seu sobrenome. Não, não é Martin, como se esperaria de um francês: é Martins. Com um discreto sorriso, após meu óbvio interesse nos pratos, Eric se aproxima e entabula uma conversa no mais perfeito português, sua segunda língua.


Em seguida, conheço o sommelier, Renaud Laurent, que com muita objetividade investiga minhas preferências e recomenda um vinho de ótimo custo-benefício. Voilá! Isso é que eu chamo de sommelier; nada de rótulos muito badalados e preços exorbitantes. Pequenos produtores, castas originais e preços condizentes.

Começa o show do chef Thomas Boullault:

O amuse bouche consistia de camarões empanados em farinha japonesa, com espuma de crustáceos e especiarias e toque de limão siciliano. O perfume e a apresentação eram tão lindos que a boca foi mais rápida do que a câmera.

Caranguejo bretão com abacate haas e
gotas de manga e maracujá.
As bolinhas de sêmola típicas da Sardenha chamadas de
fregola sarda, são preparadas como um risotto,
acompanhando gordas vieiras coroadas
com trufas negras e espuma de parmesão envelhecido.
Chorei.
Robalo selvagem ao perfume de laranjas sangüíneas
 sobre trigo bulgur com pesto de coentro.
Delicadeza e equilíbrio.
Foie gras com gomos de grapefruit rosa,
em salada de ervas com óleo de argania (árvore marroquina) 

e lasquinhas estaladiças
de chocolate amargo. Indescritível.
Risotto de vôngoles com espuma de parmesão.
Etéreo.
Infelizmente não anotei a descrição do prato abaixo. Carreguei com orgulho o cardápio assinado pelo chef e provavelmente o encontrarei na arrumação anual de minhas anotações de viagem. Falha imperdoável, mas a imagem fala por si.





O prato de queijos era uma poesia: 
Reblochon, Livarot, Camembert, Fourme d´Ambert, 
Selles-Sur-Cher, Saint Nectaire, Pont L´évêque 
e Vacherin Mont D´Or. Ainda mais
divinos com o delicioso vinho de sobremesa dos Pirineus.



Assim como as estrelas nascem nas nebulosas, os restaurantes nascem em meio a dúvidas quanto a sua proposta, longevidade, qualidade e público.

A explosão de sabores da noite certamente equivale ao momento em que a nebulosa se contrai, a força gravitacional aumenta e a temperatura começa a subir. A sensação ao fim do jantar era divina, celeste, estelar.

Não sabia, antes de entrar, que o restaurante havia sido premiado. Nasceu em mim uma estrela, assim como no inspetor do Guia Michelin que, após uma noite como a minha, concedeu ao  L´Arôme o ícone perfeito de um restaurante de sucesso.

L´ARÔME
www.larome.fr
3 rue Saint-Philippe du Roule
75008 Paris
Tel. 33.1.42.25.55.98


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Bier, Bière, Beer, Birra... BAZZAR!

Eu sei, eu sei... este é um blog que dá dicas de restaurantes em viagens. Abro uma exceção aqui pra dizer que "viajei" no mundo das cervejas artesanais que fazem a estréia no Bazzar de Ipanema no dia 6 de junho. Vejam só que maravilha a carta abaixo! Tô perdoada?


E, falando em viagens, aproveito pra postar as imagem (um tanto ridículas) que deram origem à minha obsessão por cervejas: uma viagem pela Alemanha, República Tcheca e Áustria, em 2005. 

Nota da autora: o nível de bobeira independe do teor alcoólico.






ENGLISH PALE ALE
BRASIL
Backer Pale Ale 355 ml
Esta é uma típica inglesa: ruiva, encorpada, de amargor pronunciado, com aroma frutado e complexo, de caráter marcante e paladar superior. Possui teor alcoólico de 4,8%. O líquido é âmbar, com boa presença de espuma. No aroma e no sabor, mostra malte levemente tostado, com caramelo, lúpulo, canela e um toque de banana e fermento de pão. Muito agradável e refrescante e de baixo amargor. De maneira geral, vai bem com mariscos, carne de vitela ou cabrito, carnes de caça e peixes grelhados.
BELGIAN PALE ALE
BRASIL
Eisenbahn Pale Ale 355 ml
De coloração âmbar, com paladar e amargor encorpados e complexos, tem teor alcoólico de 4,8% e é uma das únicas Pale Ale brasileiras - uma jóia rara para os apreciadores. Esta Ale apresenta sabores e aromas complexos, frutados e lupulados.
BELGIAN BLOND ALE
BÉLGICA
Leffe Blonde 355 ml
Produzida desde o século 13 pelos monges da Abadia Belga de Leffe, a marca Leffe é a cerveja tipo Abadia mais consumida no mundo. A tradicional receita é a mesma desde 1240. A Leffe Blonde é seca, com aroma frutado e levemente condimentado, com toque de cravo. A cerveja possui um delicado aroma de malte e uma sutil doçura ao final. Ela é refrescante, mas possui corpo. Ótima drinkability. Final leve e suave.
Harmoniza com frutos do mar, saladas, quiche de queijo.
BELGIAN BLOND ALE
BRASIL
Medieval 330 ml
Essa cerveja de alta fermentação é equilibrada, possui aroma de malte, lúpulo floral e condimentado, com aroma frutado típico. A Medieval vem com um exclusivo lacre de cera na tampa que pode ser quebrado ou aberto com fogo, resgatando no presente o mesmo clima das tabernas da idade média. Para abrir, gira-se cuidadosamente a ponta do gargalo sobre uma chama, derretendo a cera e, limpando o gargalo antes de servir. As tampinhas são ilustradas com símbolos planetários dos alquimistas medievais para colecionar. Graduação alcoólica de 6,7%. Acompanha com perfeição vários queijos, menos os azuis, e carne de vitela, peru, pato e coelho.
MÜNCHNER HELLES
BRASIL
Bamberg Helles 600 ml
A cerveja Bamberg Helles é uma cerveja clara, de coloração amarela com uma espuma persistente. No aroma, presença do malte, pão, caramelo e floral do lúpulo. No sabor, novamente a presença do malte, mas com o amargor do lúpulo. É fácil de ser bebida e refrescante. Graduação alcoólica de 4,8 %. Harmoniza com pratos leves, não muito gordurosos e levemente temperados. Devido à sua lupulagem marcante, pode-se harmonizar com petiscos, frituras.
GERMAN PILSENER
ALEMANHA
Krombacher Pils 660 ml
A história desta tradicional marca alemã iniciou-se em 1722, com a descoberta da nascente de Krombach, ali nasceu a Krombacher Pilsner. A Cervejaria Krombacher foi fundada em 1803 em Kreutzal, Vestfália. Em 1890 produziu sua primeira cerveja Pilsen. Graduação alcoólica de 4,8 %. A Krombacher é uma típica pilsen alemã: bem lupulada, amarga e refrescante, formando um conjunto harmônico. Boa formação e duração da espuma, com aroma de lúpulo herbáceo e nota adocicada. Harmoniza com pratos leves, não muito gordurosos e levemente temperados. Ideal com petiscos, frituras.
BOHEMIAN PILSENER
TCHECOSLOVÁQUIA
Primator Premium 500 ml
A cerveja Primator Premium é uma cerveja estilo Bohemian Pilsener, o estilo no qual a cerveja Tcheca é mais conhecida no mundo. Possui cor dourada e sua espuma é de longa duração. Forte presença de lúpulo no aroma e paladar, e leve aroma de pão e biscoito, provenientes do malte. Medalha de Ouro no concurso European Beers Star 2008. Graduação alcoólica de 5,0 %. Essa cerveja de amargor elevado harmoniza perfeitamente com pratos bem condimentados, apimentados.
GERMAN WEIZEN
BRASIL
Colorado Appia 600 ml
Esta cerveja é fabricada com malte de cevada, malte de trigo e mel. Distingue-se de todas as outras no mundo por utilizar em sua composição uma mistura equilibrada de méis de abelhas africanizadas e européias. A Colorado foi a 1ª micro cervejaria do País a fabricar este tipo de cerveja com a convicção de que algum dia faria grande sucesso no Brasil.  É uma cerveja de trigo suave, leve e refrescante. Tem coloração âmbar, com creme discreto. Notas cítricas, típicas de uma weiss e teor alcoólico de 5,5%. As cervejas de trigo combinam o nosso clima e as suas propriedades adstringentes “limpam” completamente a boca deixando uma sensação muito refrescante e agradável. Este estilo de cerveja é ideal para acompanhar comidas apimentadas e até sobremesas. Devido as suas qualidades nutritivas é também a cerveja preferida entre atletas e praticantes de esportes extenuantes.
GERMAN WEIZEN
BRASIL
Dado Bier Weiss 600 ml
A Dado Bier Weiss apresenta coloração amarelo clara, turva e espuma branca e consistente. É uma cerveja Weizen típica, de alta fermentação, elaborada com maltes de trigo e cevada. O aroma agradável, cítrico, com notas de cravo e banana são as características deste produto refrescante e com boa drinkability. Graduação alcoólica de 5,0%. Excelente com frutos do mar e saladas.
GERMAN WEIZEN
ALEMANHA
Paulaner Hefeweissbier 500 ml.
A Paulaner Hefe-Weissbier é uma cerveja de trigo, de cor amarela e opaca e não filtrada. Leve, frutada, com aroma de cravo e sutilmente amarga, possui também notas cítricas no aroma e paladar. Na região da Bavária é conhecida como uma cerveja para o café da manhã, por ser leve e de fácil digestão. Possui graduação alcoólica de 5,5 % e é ideal para refeições leves como peixes, saladas e aves.
WITBIER
BÉLGICA
Hoegaarden 330 ml
A Hoegaarden contém ingredientes especiais como sementes de coentro e raspas de casca de laranja, o que lhe confere alto frescor e “drinkability”. Produzida na pequena vila de Hoegaarden, no norte da Bélgica, é uma autêntica cerveja de trigo belga, também conhecida como White Beer. A primeira etapa é um processo de alta fermentação. Depois, é engarrafada sem pasteurização e permanece em repouso por mais três semanas para que aconteça a re-fermentação dentro da garrafa. Possui coloração dourada, é turva, e apresenta espuma bem branca, consistente e persistente. Tem aroma de frutas cítricas, floral, cravo e laranja, com paladar amargo médio. Trata-se de uma autêntica witbier belga e é a mais famosa deste estilo. É perfeita para acompanhar pratos leves e igualmente refrescantes. Combina bem com saladas, peixes, mexilhões, defumados e queijos de consistência semi-dura.
WITBIER
ESPANHA
Estrella Damm Inedit 750 ml
Ferran Adrià e Juli Soler, o sommelier do premiado restaurante El Bulli e os mestres-cervejeiros da Cervejaria Damm criaram um novo conceito de cerveja, especialmente elaborada para acompanhar pratos da alta-gastronomia. A Estrella Damm Inedit é um coupage único, com mescla de maltes de cevada e trigo, com aroma de lúpulos e especiarias como coentro, casca de laranja e alcaçuz. A segunda fermentação na garrafa lhe proporciona complexidade aromática, frutada e floral, com notas doces no paladar. É uma cerveja de textura cremosa, fresca, com suave carbonatação e retrogosto agradável. Recomenda-se levar à mesa em balde de gelo e servir em taças de vinho branco.
INDIA PALE ALE (IPA)
BRASIL
Colorado Indica 600 ml
Genuína representante do Estilo India Pale Ale, esta cerveja de alta fermentação é elaborada artesanalmente com generosas quantidades de malte, lúpulo e rapadura, visando conferir-lhe um grande corpo, amargor e teor alcoólico de 7,0%. Sua cor é avermelhada, com espuma densa e persistente. O forte aroma de lúpulo oferece notas herbáceas e florais. O paladar é de malte levemente tostado e leve doçura residual, provavelmente proveniente da rapadura. O final é longo, amargo e seco. Esta cerveja robusta é ideal para acompanhar pratos bem condimentados como carne com chilli, pato ou filé “au poivre”.
INDIA PALE ALE (IPA)
BRASIL
Estrada Real 600 ml
O estilo Índia Pale Ale foi criado pelos ingleses durante a colonização da Índia no século XVIII. A coloração é âmbar e apresenta espuma densa e consistente. No aroma, notas de levedura e lúpulo. O lúpulo ainda é mais presente no paladar, de amargor intenso e agradável, corpo suave, e final longo e seco. Combina com pratos bem condimentados, apimentados.
INDIA PALE ALE (IPA)
INGLATERRA
Meantime IPA 750 ml
Meantime India Pale poderia ser descrita como um vinho de lúpulos. Uma cerveja com leve tom acobreado, elaborada com o premiado malte Maris Otter da Maltaria Muntons Inglesa e lúpulo Fuggle e Goldings, que nos trazem notas de gengibre e sabor de doce de laranja. A Meantime IPA se torna melhor e melhor com o tempo, podendo ser armazenada por longos períodos. Graduação alcoólica de 7,5%. Harmoniza com pratos condimentados, curry, carnes vermelhas e queijos azuis.
INDIA PALE ALE (IPA)
EUA
Brooklyn Brewery East IPA 355 ml
A cervejaria artesanal Brooklyn Brewery sediada em Nova York, está entre as 30 principais cervejarias nos Estados Unidos. Iniciou suas atividades em 1988, e tem como cervejeiro o renomado Garrett Oliver. A East India Pale Ale apresenta coloração âmbar escura, aroma herbáceo proveniente do lúpulo e uma leve nota de malte caramelo. O sabor é equilibrado e tem ótima “drinkability”. Graduação alcoólica de 6,8 %. Harmoniza com pratos condimentados, curry, carnes vermelhas e queijos azuis.
RAUCHBIER
BRASIL
Bamberg Rauchbier 355ml
Cerveja defumada, de baixa fermentação, tradicional da cidade de Bamberg, Alemanha. Sua receita e ingredientes têm origem nesta cidade, mantendo assim, todo seu aroma e sabor. Graduação alcoólica de 4,8%. Harmoniza com pratos fortes como feijoada, carne de porco e lingüiças, além de ser um excelente acompanhamento para um bom charuto.
RAUCHBIER
ALEMANHA
Aecht Schlenkerla Rauchbier Märzen 500ml
Especialidade da cidade de Bamberg, produzida com malte original defumado Schlenkerla. De coloração castanho-avermelhada, apresenta defumado intenso no aroma e no paladar. Sensação residual amarga e seca. Graduação alcoólica de 5,1%. Harmoniza bem com carnes vermelhas, carne de porco e de caça. Salsichas e queijos defumados.
BELGIAN GOLDEN STRONG ALE – BIÈRE BRUT
BRASIL
Lust 375 ml
A Eisenbahn Lust é a primeira cerveja do Brasil produzida pelo método champenoise. Depois da fermentação e maturação normal dentro da cervejaria, o líquido é enviado para uma vinícola, onde fica por três meses e passa pelo processo de produção de champanhes. Possui aroma frutado e paladar refrescante. Apresenta perlage fino e numeroso com espuma cremosa. Graduação alcoólica de 11,5%. Esta cerveja harmoniza com sobremesas à base de frutas, queijo parmesão, gouda, gruyère, chevrotin e pont l’evèque, e ainda com queijos azuis como gorgonzola, roquefort ou stilton.
BELGIAN STRONG ALE
BÉLGICA
Deus 750 ml
Como um verdadeiro espumante, é denominada pela cervejaria como uma “Brut dês Flandres”. Tem cor clara, dourada, efervescente e com bolhas extremamente pequenas. Possui final seco com leve adstringência. Seu sabor é complexo, porém refrescante e delicado. Graduação alcoólica de 11,5%. Harmoniza com sobremesas à base de frutas, sushi e sashimi, ostras, queijo parmesão, gouda, gruyère, chevrotin e pont l’evèque, e os azuis como gorgonzola, roquefort e stilton.
BELGIAN STRONGE ALE – BIÈRE BRUT
BÉLGICA
Malheur Bière Brut 750 ml
A Malheur Bière Brut é produzida de forma original. É uma cerveja exclusiva com teor alcoólico de 11%. Após o engarrafamento, ela é fermentada três vezes na garrafa. O resultado é uma cerveja refrescante, seca, de amargor persistente e elegante. Possui coloração brilhante amarelo dourada. Os aromas são de frutas cítricas com notas de condimentos e rosas. Harmoniza com sobremesas à base de frutas cítricas.
BELGIAN STRONG ALE – TRIPEL
BÉLGICA
Tripel Karmeliet 330 ml
Esta antiga receita das freiras Carmelitas é produzida com três grãos: trigo, cevada e aveia, maltados e não maltados. Ela possui coloração dourada e espuma cremosa, e o aroma refinado e complexo tem notas de baunilha e banana. Graduação alcoólica de 8,0%. Combina com queijo brie e damasco, com pratos acridoces, peixes leves.
BELGIAN STRONG ALE – TRIPEL
HOLANDA
La Trappe Tripel 330 ml
Com um colarinho branco e persistente, esta cerveja âmbar apresenta aromas complexos, com traços de figo, ameixas, caramelo e coentro. Vigoroso, desde o início, seu corpo, com 8% de teor alcoólico, revela um paladar de mel e especiarias. Uma cerveja surpreendente e incrível. Faz um belo papel bem com carnes vermelhas, aves, frutos do mar e caça.
BELGIAN STRONG ALE – TRIPEL
BRASIL
Falke Tripel Monasterium 750 ml
A cerveja Monasterium é refermentada na garrafa e utiliza em sua formulação maltes de cevada, trigo e aveia. Apresenta aroma complexo e espuma consistente. Graduação alcoólica de 9,0%. Experimente com queijo brie e damasco, pratos acridoces e peixes leves.
BELGIAN DARK STRONG ALE – QUADRUPPEL
BRASIL
Wäls Quadruppel 360 ml
Cerveja de coloração marrom avermelhada, espuma densa e duradoura. Forte presença no aroma de notas de malte, chocolate, toffee, frutas secas e um toque amadeirado. Na boca, o amargor e os sabores de chocolate e toffee se equilibram com a doçura típica desse estilo de cerveja. Graduação alcoólica de 11,0%. A Wälls Quadruppel combina perfeitamente com carne de caça, cozido de carne vermelha, aves assadas, goulash, trufas e, como sobremesa, um tiramisú.
SCHWARZBIER
BRASIL
Bamberg Schwarzbier 355 ml
De cor preta, com espuma marrom consistente, esta Schwarzbier apresenta no aroma notas de café e chocolate, provenientes do malte. No paladar tem presença de café, chocolate e caramelo, leve amargor de lúpulo e final seco. O corpo é médio com média carbonatação. Apesar de sua complexidade no aroma e paladar, é fácil de beber. Graduação alcoólica de 5,0%. Combina com churrascos, feijoada, carnes de porco, carnes vermelhas, grelhados, charutos e sobremesas à base de chocolate. Temperatura ideal de serviço entre 6º e 10º C.
MÜNCHNER DUNKEL
BRASIL
Bamberg München 355 ml
Feita no estilo “München Dunkel”, é uma cerveja de baixa fermentação com 5,0% de teor alcoólico. Harmoniza com carnes de porco, culinária mexicana, carnes vermelhas e pratos apimentados.
PORTER
BRASIL
Colorado Demoiselle 600ml
A Demoiselle é uma cerveja escura que leva café na formulação. É uma Porter feita com maltes especiais e café da região da Alta Mogiana, em São Paulo. O nome Demoiselle é uma homenagem ao grande brasileiro Alberto Santos Dumont, cuja família era proprietária de fazendas de café na região de Ribeirão Preto. O aeroplano Demoiselle criado por Santos Dumont em 1907 é até hoje um ícone de estilo e simplicidade. A Cervejaria Colorado tem como filosofia produzir estilos clássicos de cerveja agregando a eles produtos frescos regionais para adicionar um toque de brasilidade. Essa Porter apresenta espuma densa, medianamente persistente e aroma intenso de café e malte torrados. O sabor acompanha o aroma, ostentando ainda um ótimo final seco, o que confere uma excelente “drinkability”. Para ser degustada com pratos defumados ou mesmo uma sobremesa de chocolate.
DRY STOUT
IRLANDA
Guinness 500 ml
A cerveja Guinness virou sinônimo de Stout. É a marca mais famosa deste estilo e patrimônio nacional da Irlanda. De coloração negra e densa, tem creme persistente e consistente. Possui baixa carbonatação, pouco corpo, amargor longo e final seco. Graduação alcoólica de 4,2%. Vai bem com mariscos, ostras e guisados de carne. Fica interessante com queijos fortes e um tanto salgados, ou ainda com sobremesas à base de chocolate.
GERMAN DOPPELBOCK
ALEMANHA
Paulaner Salvator 330 ml
O estilo bock (e seu derivado doppelbock) é um estilo da escola alemã, de baixa fermentação, cuja principal característica é a presença de maltes caramelizados e tostados, e sua inconfundível cor avermelhada. A história do estilo remete à Idade Média, na Alemanha, e à velha necessidade dos monges católicos de produzir cerveja “fortificada” para os jejuns da Quaresma. A cor é âmbar avermelhada e na boca tem notas de malte torrado, nozes e caramelo. De consistência cremosa, suave e sedosa, tem álcool e amargor presentes, mas bem harmonizados. O final é amargo e agradável. Graduação alcoólica de 7,9%. Ótimo acompanhamento para salsichas com mostarda, goulash e ensopados encorpados. Combina com frango ou caça e sobremesas à base de chocolate.
 BARLEY WINE
ITÁLIA
Baladin Xyauyu Oro 500 ml
Frutada, lembrando vinho madeira ou Vinsanto, tem graduação alcoólica de 14%. Possui sabores intensos de sherry espanhol. Bastante licorosa, adocicada e muito complexa. A produção é bem limitada e esta cerveja deve ser consumida e vendida em pequenas doses, podendo ser servida em taças de licor.

Divirtam-se!!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Posto Garantido - Del Posto, Nova Iorque

Texto feito especialmente para o site ENOEVENTOS, de Oscar Daudt.

A tímida ante-sala não sugere o ambiente teatral que se desdobra em 2.300 metros quadrados distribuídos em salões de iluminação âmbar. Das mesas redondas aninhadas em oito frisas do mezanino pode-se admirar o balé da equipe de salão que distribui comida, vinho e competência.

Entrei com o cuidado que requer o ingresso numa casa que ostenta duas estrelas Michelin, especialmente porque carregava duas crianças a tiracolo que, por mais acostumadas que estejam às incursões gastronômicas dos pais, sempre podem se tornar a “variável-surpresa” da noite.


O ambiente é bem clássico, com pianista de verdade ao fundo fazendo revezamento com Tony Bennet na caixa de som. As extravagâncias como o piso com desenhos em mármore, o guarda-corpo de ferro ondulado e os pilares de inspiração romana feitos em mogno, foram rapidamente obscurecidas pela atenção que a equipe conferiu a meus filhos, o que me deixou absolutamente à vontade.

Começamos com um Franciacorta 2004, do Bruno Giacosa, que escoltou com elegância o couvert: caldo de galinha servido em potinho retrô de porcelana, um delicado patê e as inesquecíveis manteigas de Luigi Guffanti. A primeira, pura e doce e a segunda feita com lardo, alho e alecrim.

A ocasião era especial e já que a fome havia produzido um rombo no estômago, decidimos (por que não?) fazer outro no bolso.

A escolha do Barolo Bartolo Mascarello 89 fez com que a sommelière se materializasse na minha frente, com corpo, olhos e ouvidos atentos ao meu pedido. Cynthia apresentou e abriu lindamente a garrafa. Então, a surpresa: depois de provar o vinho de 96 pontos por Robert Parker e outros tantos dígitos no preço, afirma com o cenho franzido: “I´m so sorry, but this wine is not sound”, ou seja, o vinho não estava bom.

Passei alguns segundos admirando a postura da profissional com “P” maiúsculo.  Poucos sabem o que é o prejuízo de um restaurateur, que com todo cuidado acondiciona seus vinhos, se estoca e paga antecipadamente pelas garrafas para simplesmente atestar, após anos de guarda, que alguns deles não estão bons.

A responsabilidade do sommelier é enorme e a pressão de encarar os patrões e lhe apresentar a conta do prejuízo é igualmente grande. A postura da sommelière e a tranqüilidade com que pôde recusar o vinho provam que a casa não tem o Grand Awards da revista Wine Spectator à toa. Apenas 75 restaurantes em todo o mundo podem afixar a plaquinha na parede. São casas que oferecem cartas com 1.500 vinhos ou mais, de produtores de altíssima categoria, safras premiadas, garrafas de todo o formato e preocupação com harmonização com o cardápio. Inconsolável mas ainda impecável, Cynthia sugere um Barolo Conterno 88, pleno de ervas, trufas e chocolate. Realmente divino.

Provamos carne cruda com parmigiano-reggiano (o legítimo) salsa de trufas e lascas do escultural cogumelo king oyster; vôngoles picantes com corações de alcachofra fritos e molho de farro com menta; orecchiette feito na casa com ragú de cordeiro cozido em baixa temperatura e salsa verde de folhas de mostarda; meu filho se deliciou com um simples risotto regado com balsâmico envelhecido; e ainda devoramos um cordeiro com alcaparras, azeitonas e molho de tatsoi (primo do bok choy e da mostarda) com alho.


O melhor ainda estava por vir. Posso testemunhar em juízo que não sou e nunca fui pessoa interessada em sobremesas. Fiz o pedido por obrigação profissional, preparada para não gostar e acabei me apaixonando pelas criações do Chef Pâtissier Brooks Headley. O chef não tem ensino formal, é ex-baterista de um grupo punk e formado em Literatura (!!). Escolhi um caramelo semifreddo com melão e cítricos e sbrisolona, torta de amêndoas típica de Mantova, acompanhada do vinho Marsala Marco de Bartoli 86, da Sicília. Uma das sobremesas mais delicadas e completas que já comi.

Para meus filhos pedi, naturalmente, uma seleção de chocolates. Com o risco de perder a guarda das crianças, me revelei uma mãe desequilibrada, disputando a impiedosas garfadas os pedaços de alegria. E a alegria tinha nome e sobrenome: o primeiro era um chocolate de Don Giuseppe Puglisi, de Modica, na Sicília. É feito na tradição asteca, em que o cacau é prensado a frio com grãos de açúcar para que não tenha seu sabor corrompido pelo método de aquecimento tradicional.  O resultado é um produto rústico, quebradiço e divino. Em seguida, um chocolate ao sal doce extraído das salinas de Cervia (Romagna) do produtor L´Artigiano. De delicadeza e profundidade ímpares. O terceiro era um chocolate amargo incrivelmente rico, do fabricante Maglio, com 56% de cacau. E, por último, o untuoso e inesquecível chocolate com 60% de cacau e amêndoas de Avola, da casa La Molina, na Toscana.

O Del Posto é daqueles restaurantes que vão crescendo ao longo da refeição até ocupar o primeiro lugar no estômago dos clientes. Chegando lá, não há dúvida. O posto e as estrelas são mais que merecidos.

DEL POSTO
85, Tenth Avenue - Nova Iorque
Tel.: (212) 497.8090

Lindo detalhe dos doces sobre o ralador de queijos. Adorei.