sexta-feira, 8 de março de 2013

Comendo a maçã pelas beiradas - New York


[Texto feito especialmente para a Revista DiVino]




A história nos prega peças. Nos anos 80 o Brasil vivia a chamada “década perdida” dada a crise econômica que nos assolava. À época, ouvia relatos de amigos que passavam férias em Nova York se alimentando de comida de rua para economizar uns bons trocados. Nossa versão do “tapeo” espanhol era parar de barraca em barraca vivendo de pretzels e cachorros-quentes dada a impossibilidade de começar uma refeição desembolsando 8 dólares numa simples garrafa de água, em um restaurante qualquer.

Hoje em dia, o caldeirão cultural que é a Big Apple cozinha em seu interior uma nova maçã, um tanto escaldada pela crise. Tapeando o bolso, o nova-iorquino agora vai de restaurante em restaurante, tirando o melhor de cada lugar sem grandes prejuízos. É um novo tipo de “scavenger hunt”, a gincana americana, em que a busca é por tesouros gastronômicos desvelados graças à desaceleração econômica.

Na América, faça como os americanos. Seu fim de semana típico na “nova” York pode ser assim, pontilhado de visitas a lugares badalados sem passar fome ou quebrar a banca:

The NoMad: veludos e cetins no ambiente
elegante cool de Jacques Garcia.
THE NOMAD – O restaurante do hotel homônimo entrou na lista de desejos dos “foodies” por conta de um frango assado para dois. Bem... não foi exatamente assim. O hotel Algonquin, o mais antigo de Nova York ainda em operação, foi rebatizado e totalmente renovado no Verão de 2012 pelo arquiteto Jacques Garcia, o mesmo por trás do Hotel Costes em Paris. O frango do chef Daniel Humm veio surfando alegremente no sucesso da faladíssima reinauguração graças a uma longa e complicada preparação, escoltada por foie gras e trufas. Quem não quer desembolsar os US$79 pelo frango no jantar, usufrui da mesma badalação no brunch abarrotado, comendo uma versão de bolso – em duplo sentido – do famoso galináceo, com foie gras e óleo de trufas a US$26. Garanto que o carinho dispensado à ave é o mesmo.

The Tavern: queijos do Maine, Oregon, New Hampshire,
Pennsylvania, Vermont e Virginia.
Espetaculares.
GRAMERCY TAVERN – O restaurante há quase 15 anos figura entre os mais populares do guia Zagat, tem 1 estrela Michelin, 3 estrelas no guia do New York Times e acaba de ser premiado em 2012 com o Outstanding Award da James Beard Foundation. A crise talvez tenha feito o fluxo diminuir no salão principal, em que o menu degustação do jantar sai a US$116, sem bebidas. No entanto, o que todo habitante da ilha sabe, é que na Taverna, o salão mais informal da entrada, há um outro menu degustação de US$48 e o melhor: uma excelente seleção de queijos de Vermont, Virginia e do próprio Estado de NY. Um prato com 3 queijos de US$14 vai encontrar seu par perfeito em um dos 31 rótulos de cervejas artesanais da casa, a partir de US$8 a garrafa.

Buvette: sempre abarrotado. Comida fácil
e ambiente idem.
BUVETTE – um cantinho francês em Nova York com decoração de inspiração provençal ganhou o coração dos locais (e dos críticos) com croques, mini caçarolas de coq au vin ou coelho, brandades de bacalhau, pequenas rilletes e outros pratinhos com preços que lhe equivalem em tamanho. Naquele lugar lindo e atemporal, meu programa ideal seria um steak tartare (US$15) acompanhado de um copo de vinho e arrematado por uma tarte tatin com creme azedo (US$8).

Aquagrill e as imensas ostras Belon do Maine,
à direita.
AQUAGRILL -  Henry Hudson, explorador inglês a serviço de holandeses, fez em 1609 uma onerosa expedição pela costa americana em busca de uma passagem para a China. Ao longo da viagem, em troca de ferramentas e outros, os habitantes locais cobertos de peles lhe ofereciam feijões, maconha e uma iguaria tão viciante quanto: as ostras. Já a minha expedição em busca das melhores ostras americanas saiu bem mais em conta. No Aquagrill são vendidas por unidade e devorá-las no balcão é uma das maiores alegrias dos nova-iorquinos que regulam o apetite pela profundidade do bolso. Os preços variam de US$2.15, pela Blue Point de Nova York, até US$3.65 pela imensa Belon, do Maine. Poderia morrer ali, devorando minha preferida dentre todas as 27 variedades da casa: a East Beach Blond, de Rhode Island, que sai por US$3.

Il Buco: balcão de queijos logo na entrada pra
despertar os desejos mais untuosos.
IL BUCO ALIMENTARI & VINERIA – A entrada do restaurante se dá através de uma delicatessen e havia uma bela aglomeração junto ao balcão de frios e queijos. Um queijo é só um queijo. Sim. E custa US$8 a porção. Muito? E quando você sabe que o leite de ovelha com o qual é feito foi retirado na Primavera, época em que o pasto jovem lhe confere um aroma único? E quando você entende que, de agosto a novembro, o queijo é recoberto de feno e colocado num poço para que a flora bacteriana que só existe na Romagna faça o lindo trabalho de transformar a massa láctea num dos mais tradicionais pecorinos da Itália? Sim, é o queijo da Fossa dell’Abondanza, de importação exclusiva do restaurante. A iguaria pode ser devorada na mesa comunitária junto com os presuntos curados na casa, provenientes de fazendas “eco-friendly” (eu sei... vá explicar isso ao porco!). O fato é que além do cuidado com os ingredientes, o restaurante é disputadíssimo, graças à boa oferta de pratos clássicos italianos num ambiente rústico/metal/cool. Experimente a deliciosa Lasagnette à Bolonhesa de US$22 e regue com uma taça de vinho a partir de US$10.

Beaumarchais: música pra embalar o
croque monsieur trufado.
BEAUMARCHAIS – Ingira e digira. A frase não é harmônica, mas a proposta da casa, sim. Terminar um brunch em boate pode ser uma excelente pedida pra quem quer fazer dois programas distintos ao custo de um só. Um delicioso e imenso croque monsieur trufado custa apenas US$15 e ovos beneditinos, US$18. Passe do cappuccino aos drinques à medida em que o volume aumenta, e aproveite! Afinal, o brunch acaba às 19hs, e com ele seu fim de semana sem o menor sabor de crise.


Informações:

The NoMad
thenomadhotel.com
1170, Broadway & 28th street
212.796.1500

Gramercy Tavern
gramercytavern.com
42, East, 20th street
212.477.0777

Buvette
ilovebuvette.com
42, Grove Street
212.255.3590

Aquagrill
aquagrill.com
210, Spring street
212.274.0505

Il Buco Alimentari & Vineria
ilbucovineria.com
53, Great Jones street
212.837.2622

Beaumarchais
brasseriebeaumarchais.com
409, West 13th street
212.675.2400

5 comentários:

  1. Esse post me deu vontade de programar uma nova viagem para NY... Excelente.
    Mas agora não posso mais: a crise da dos anos 80 retornou pra mim.
    :)
    bjs

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    Respostas
    1. Que bom que gostou, Henrique! Quanto à crise, vamos "tapeando"...

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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